THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1


Acima, montagem da série THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1. em exibição na Galeria Xico Stockinger, MAC-RS, em Porto Alegre. ©Flavya Mutran

Não existe lugar como… números? A frase que nomeia as imagens desta série representa muito da postura do internauta e sua relação com o lugar. É através do localhorst 127.0.0.1 dos computadores pessoais que o internauta estabelece o seu lugar, como uma espécie de intervalo no tempo e no espaço, em que realidade e ficção são projeções invertidas de uma mesma imagem. THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1 também remete diretamente aos dispositivos da web e a ferramenta ‘place’ do Adobe Photoshop, que é usada para criar ‘lugares’ digitais, como espécies de páginas em branco, tela limpa, placa para polir, barro para modelar.

A série é composta de assemblages fotográficas de fragmentos visuais desses ambientes, projetados para além dos monitores RGB, em superfícies de espelhos, paredes, portas, escadas e páginas de livros. São misturas do olhares diferentes que geram novas combinações de cores e composições, deslocamentos, superposições e apropriações. Embora eu tenha usado imagens de visibilidade pública procurei manter-me a uma distância cautelosa, preservando o que de mais íntimo existe em qualquer pessoa: o rosto. Quase não aparecem rostos de forma direta neste trabalho, eles são vistos como reflexos refratários, como olhares de medusa observados com interesse e temor através de espelhos.

Acima, imagens da série ‘THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1’ ©Flavya Mutran

Todos os ambientes, os tipos de suportes fotográficos (fílmicos ou digitais), as palavras e os rostos acumulados na pesquisa são de fato lugares de trânsitos, que potencializam as incontáveis possibilidades de maquinações poéticas, invenções… Não existem lugares como aqueles encontrados em 127.0.0.1 (there is no place like 127.0.0.1) meu computador. Lugares que não existem realmente como as versões que se apresentam nesta exposição, mas que apareceram para mim como espectros de territórios em que a imaginação passeia a deriva.

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