CROMOMUSEU, no MARGS (Porto Alegre/RS)

Publicado: 24/05/2013 em Fotografia

A exposição Cromomuseu: Pós-Pictorialismo no Contexto Museológico, aconteceu de 06 de dezembro de 2012 a 31 de março de 2013, em Porto Alegre/RS, ocupando todas as oito galerias do Museu de Arte do Rio Grande do Sul. A exposição mostrou a produção artística de diferentes linguagens, abrangendo um período que vai desde meados do século XIX até a contemporaneidade, no total de 223 obras de 147 artistas brasileiros e estrangeiros do acervo do MARGS. A curadoria da exposição ficou à cargo do diretor do MARGS, Gaudêncio Fidelis.

cromomuseu

Duas obras, da série BIOSHOT de Flavya Mutran (2010) que integram o acervo do MARGS foram incluídas na Mostra, na sala “A ausência”. As Imagens da série BIOSHOT, integram a pesquisa Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis, e tratam da massificação de autorretratos como formas de construção de autonarrativas contemporâneas, graças ao uso de aplicativos gratuitos disponíveis na internet.

fotoweb

Acima, detalhe das obras de Flavya Mutran da série BIOSHOT (2009-2010, Porto Alegre/RS) expostas em uma das salas negras, do setro CROMONOMIA: A ausência. Para o curador da Mostra, Gaudência Fidelis, “A restrição à cor representa uma perda material; porém, para a experiência estética, ela significa um acréscimo de grande significado. Obras monocromáticas significaram uma radicalização do espaço pictórico desde o seu advento no início dos anos de 1950. Para esse segmento, foram escolhidas predominantemente obras monocromáticas nas cores preto e branco, que constituem o estágio mais radical da experiência monocromática na obra de arte. A economia política do monocromo presumia a supressão da variedade colorística com o objetivo de obter um ganho de impacto pela concentração máxima da intensidade da cor. Contudo, essas não são obras monocromáticas puras, mas híbridas, já que a arte brasileira raramente produziu obras monocromáticas radicais, mas quase sempre com a contaminação de outra cor, mesmo que algumas vezes esta fosse praticamente imperceptível. Cromonomia introduz uma série de questões relativas a uma economia do monocromo e à sua emblemática existência no campo da arte.”

Abaixo, transcrevo parte do texto distribuído no release da Mostra, em que o curador fala sobre o conceito da exposição:

‘Centenas de cores e uma galeria invertida

Cromomuseu é formada por uma plataforma museográfica composta por paredes pintadas com centenas de cores sobre as quais serão expostas as obras e uma “galeria invertida”, construída dentro de uma das galerias do MARGS, onde as pinturas serão mostradas com seu verso voltado para o público. Cromomuseu declara temporariamente o fim do chamado cubo branco — o espaço de exposições privilegiado pela modernidade para exibição de obras. Trata-se de um espaço asséptico, branco, inodoro e sem interferência de luz externa, cujo objetivo é isolar a produção artística do mundo real, possibilitando que tudo o que seja exibido naquele espaço torne-se, por essa razão, consagrado como arte. O cubo branco foi assim concebido como uma plataforma ideológica capaz de canonizar as obras da modernidade.

Paraa exposição Cromomuseu, as paredes das galerias foram pintadas com centenas de cores, sobre as quais foram exibidas as obras. Esta não é, portanto, uma exposição prioritariamente sobre a cor como questionamento posto pelas obras, mas sobre o emprego da cor no espaço museológico e como o aparato museológico interfere em nossa percepção. Mais do que isso, trata-se de uma exposição que problematiza a percepção comoum dos mais complexos fenômenos da atualidade. De como ela é constantemente alterada pelos mecanismos de exibição museográfica, pela lógica de exibição de obras adotada por cada um dos projetos curatoriais e pelo modo como cada um desses objetos artísticos é colocado em funcionamento.

Cromomuseu promove a extinção do cubo branco de exposições e impregna as paredes do museu com o universo social e todas as suas perturbações: sinais, logos, cores, sensações, etc. A obra agora não está mais protegida pelo imaculado espaço branco, mas posta no mundo, despregada do universo da arte e solta no universo da cultura. O primeiro pode ser lido como o campo da arte e o segundo como o campo social da cultura.

Ao invés do cubo branco, o cromocubo

O Cromocubo constitui-se, porém ,como uma plataforma crítica, ao contrário das ingênuas e decorativas investidas da cor nas paredes do museu. Nesse sentido, o MARGS avança para um universo impregnado pelo conceito de cultura total e inclusiva, utilizando desta vez o mecanismo da cor. Assim, ao incorporar uma diversificada gama de possibilidades colorísticas, o MARGS abre um terreno fértil para o universo de programas futuros que a instituição pretende privilegiar, por meio de exposições que incorporem uma maior diversidade de proposições artísticas, capazes de representar a qualidade e a excelência da arte brasileira e estrangeira presente em seu acervo. O cubo branco é exclusionário e o cromocubo mais inclusivo. O primeiro privilegia as obras primas, o segundo a diversidade de estilos.’

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