MARGS inaugura Alien: Manifestações do Disforme, em maio/2012

Publicado: 13/05/2012 em Fotografia

O MARGS irá inaugurar dia 17 de maio às 19 horas sua primeira grande exposição do ano com obras de 60 artistas nascidos entre 1860 e 1982. Explorando a polissemia da palavra Alien, a exposição abordará diversas estratégias curatoriais para discutir as diversas facetas da produção artística, como a formação do cânone, as abordagens politicas do Outro, memória e cronologia e a inovação artística recente.

Dividida em três grandes segmentos, a exposição possui uma abordagem curatorial híbrida oriunda de um método não-cronológico e não hierárquico de montagem de exposições utilizado em exposições anteriores do MARGS como Labirintos da Iconografia e O Museu Sensível. As obras da exposição são em sua maioria provenientes do acervo do MARGS completadas por um segmento de obras de artista contemporâneos. Dando segmento a sua politica de privilegiar o acervo em suas exposições o Museu de Arte do Rio Grande do Sul realiza esta que pretende ser a maior exposição que a instituição já realizou dedicada a discutir os princípios de formação canônica, assim percorrendo as mais diversas abordagens artistas de meados do século 19 até a produção amis recente, tida como aquela que se mostra não só inovadora, mas radical em suas diversas abordagens do objeto artístico.

Com vem sendo feito em exposições anteriores do museu a organização curatorial da exposição foi realizada na forma de justaposições e paralelos entre obras de períodos, escolas e gêneros diferenciados, onde uma obra estará sempre ligada a outra e/ou conjunto de obras. No estabelecimento destas relações foi colocado uma ênfase em questões conceituais, estéticas, históricas, técnicas e ainda outras abordagens como gênero, classe e abordagens que se mostram frutíferas para potencializar e expandir o significado de cada uma das obras presentes na exposição. A escolha das obras foi realizada como forma de quebrar pressupostos canônicos que fundamentam as hierarquias entre obras, e ao fazê-lo revelar os mecanismos que as definem como tendo maior ou menor importância em uma escala de valores estéticos, culturais e históricos..

Dando continuidade ao programa de exposições do MARGS instituído nesta gestão, esta é igualmente uma exposição concentrada em obras e não com ênfase em individualidades, salientando a importância de cada uma delas em um campo institucional de produção de conhecimento da produção artística que o museu quer privilegiar. As escolhas das obras foram realizadas para privilegiar uma disposição nãocronológica, avançando e recuando dentro do arco histórico definido pela exposição, buscando privilegiar a convivência entre obras no espaço de exposição produzindo mecanismos de amostragem que venham a enfatizar o potencial artístico de cada uma destas obras para além de sua proposição estética inicial. Assim a exposição busca instituir novas relações entre obras como entidades cujo potencial artístico seja capaz de se relacionar com obras de períodos e gêneros diversos para muito além da sua especificidade cultural e artística.

A exposição traz um considerável número de obras inéditas do acervo do MARGS que ainda não foram sido mostradas pelo museu, assim como obras canônicas da coleção, conhecidas do grande público, e ainda obras de outras coleções e artistas contemporâneos.

‘Alien: Manifestações do Disforme‘ está divida em quatro segmentos diversos, definidos através de proposições conceituais que articulam o projeto curatorial da seguinte forma:

1)      Imagens que mundo esqueceu

Este segmento da exposição é composto por obras que nunca foram trazidas adequadamente à visibilidade pública. Através delas, vemos que a dimensão artística e estética pode ser ampliada em diversas direções, principalmente quando abandonamos a extensa lista de convenções que norteiam a constituição de objetos artísticos e suas posteriores escolhas. Encontram-se neste segmento obras que não ainda tenham despertado significativa importância de uma perspectiva artística ou acadêmica, mas que se constituem como objetos criativos e singulares no território da arte.

2)      Desvios da norma

Este segmento abrange obras que, por sua constituição estética, situam-se fora dos parâmetros canônicos vigentes da produção consagrada pela crítica e pela historiografia. Se forem consideradas as convenções artísticas, as obras neste segmento demonstram um considerável desconforto em situar-se no âmbito das regulamentações do cânone estabelecido. Por isso mesmo, sua constituição é diametralmente oposta à produtividade discursiva da metodologia artística que pressupõe a regra como recurso da assinatura e da credibilidade formal.

3)      Um outro entre tantos

O centro de abordagens políticas de gênero, classe e identidade é o que caracteriza o campo de articulação conceitual desse segmento da exposição. Dentro dessa ótica, a evidência de uma política das coleções e sua formação é introduzida como elemento fundamental da constituição de um acervo, assinalando a visão artística como não sendo destituída de uma predisposição de representação do aspecto social e político. Nesse segmento são contempladas obras que traduzem a condição do Outro como estrangeiro, visto muitas vezes como diferente e dissimilar à nossa própria constituição; disforme, portanto, diante do olhar muitas vezes viciado do preconceito.

4)      Supernova

Composto pela produção de artistas da geração mais recente, este segmento introduz o novo para além da conhecida vontade das vanguardas históricas, possibilitando a apresentação de obras que ainda não estão institucionalizadas, mas que apresentam vocação para a radicalização dos procedimentos artísticos. Em sua dimensão propositiva, tais obras apresentam um campo de possibilidades que articula a vontade de constituição do objeto em contraposição à racionalidade das regras normativas da arte.

Artistas (8) do segmento Supernova:

Alessandro Amorin, Camila Schenkel, Dirnei Prates, Flavya Mutran, Guilherme Dable, Leandro Machado, Mayana Redin e Marcos Sari.

Na abertura da exposição ocorrerá a performance Tacet, de Guilherme Dable, com a participação dos músicos Diego Silveira, Antonio “Panda” Gianfratti e Thomas Rohrer. Nela, os músicos “operam” instrumentos preparados com papéis que além de alterar a sonoridade dos instrumentos, deixam registrados suas ações performáticas graficamente, gerando assim uma série de desenhos, ao mesmo tempo que executam a música.

A realização de uma exposição que invoque uma perspectiva alienígena para a constituição das obras está essencialmente fundamentada em uma perspectiva de articulação do estranho, daquilo que não encontra lugar imediato dentro dos parâmetros de canonização instituídos e colocados em efeito pelo processo de institucionalização.

 Alien: Manifestações do Disforme apresenta a obra dos seguintes artistas:

(lista total, obras do acervo MARGS e convidados/Supernova)

Adma Corá – (Porto Alegre, 1958).

Alberto Guignard – (Nova Friburgo/RJ, 1896 – Belo Horizonte/MG, 1962).

Alessandro Amorin – (Caxias do Sul/RS,1970).

André Petry – (Porto Alegre, 1958).

Arlete Sauer – (Passo Fundo/RS, 1923).

Arthur Piza – (São Paulo/SP, 1928).

Astrid Linsenmayer – (Porto Alegre/RS, 1936).

Bez Batti – (Venâncio Aires/RS, 1940).

Britto Velho – (Porto Alegre, 1946).

Camila Schenkel – (Porto Alegre/RS, 1982).

Cláudio Carriconde – (Arroio Grande/RS, 1934 – Santa Maria/RS, 1981).

Danúbio Gonçalves – (Bagé/RS, 1925).

Dirnei Prates – (Porto Alegre/RS, 1965).

Eleonora Fabre – (Sobradinho/RS, 195).

Elim Dutra – (Bom Jesus/RS, 1942).

Fernando Corona – (Santander/Espanha, 1895 – Porto Alegre/RS 1979).

Flavya Mutran – (Maraba/Pará, 1968). Abaixo, duas obras expostas na Mostra que também passaram a integrar a coleção permanente do MARGS.

dipitico-1

Frank Shaeffer – (Belo Horizonte/MG, 1917 – Rio de Janeiro, 2008)

Guilherme Dable – (Porto Alegre/RS, 1976).

Guma – (Tapes/RS, 1924 – Porto Alegre/RS, 2008).

Gustavo Nakle – (Montevidéo/Uruguai 1951)

Hércules Barsotti – (São Paulo/SP, 1914-2010).

Iberê Camargo – (Restinga Seca/RS, 1914 – Porto Alegre/RS, 1994)

Ilsa Monteiro – (Porto Alegre, 1925).

Izrael Szajnbrum – (Urzedow/Polônia, 1924).

José de Souza Pinto – (Açores/Portugal, 1856 – Porto/Portugal, 1939)

Jader Siqueira – (Pelotas/RS, 1928).

João Gonçalves – (Uruguaiana/RS, 1950).

Kenji Fukuda – (Indiana/SP, 1943)

Leandro Machado – (Porto Alegre/RS, 1970).

Luiz Gonzaga – (Júlio de Castilhos/RS, 1940).

Lúcia Ramenzoni – (São Paulo/SP, 1943).

Luigi Napoleone Grady – (Santa Cristina/ Itália, 1860 – Brusimpiano/Itália, 1949).

Luiza Albuquerque – (Porto Alegre, 1927).

Luiz Alcione Moreira – (Porto Alegre, 1945).

Luiz Barth – (Taquara/RS, 1941).

Luiz Carlos Felizardo – (Porto Alegre, 1949).

Lyria Palombini – (Itanhadu/ MG, 1939).

Marcos Sari – (Porto Alegre/RS, 1972).

Mário Röhnelt – (Pelotas,1950)

Mayana Redin – (Campinas, 1984).

Milton Kurtz – (Santa Maria/RS, 1951 – 1996).

Moacir Chotguis – (Santana do Livramento/RS, 1954).

Noelia de Paula – (Salvador/BA, 1937).

Norberto Nicola – (São Paulo/SP, 1931-2007).

Paulo Aguinsky – (São Borja/RS, 1942).

Paulo Osir – (São Paulo/SP, 1890 – 1959).

Paulo Porcella – (Passo Fundo/RS, 1936).

Renato Hauser – (Porto Alegre/RS, 1953)

Roberto Cidade – (Caçapava do Sul/RS, 1939-Torres/RS, 2011)

Rodolfo Garcia – (Montenegro/RS, 1931).

Saint Clair Cemin – (Cruz Alta/RS, 1951).

Tânia Resmini – (Santana do Livramento, 1951).

Tomie Ohtake – (Japão, 1913).

Vera Rausch – (Porto Alegre, 1943).

Wilbur Olmedo – (Cachoeira do Sul/RS, 1920 – Porto Alegre/RS, 1998).

Wilma Villaverde – (Buenos Aires/Argentina, 1942).

Wilson Cavalcante – (Pelotas, 1950).

Wilson Alves – (Porto Alegre, 1948).

Yutaka Toyota – (Tendo/Japão, 1931).

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